quarta-feira, 11 de maio de 2011

Vida Profissional (segundo Ato)


21h45

Vida Profissional.

Bem foi conturbado. Recebi algumas propostas de emprego, pois sai do meu emprego. Sai com fortes sentimentos de, talvez, missão cumprida mas que poderia continuar. Meus motivos éticos não permitiriam. Continuar. Nada grave para com um social. Mas que fere alguns princípios. Enfim. Entrei na estatísticas de “jovens desempregados com ensino médio completo”, hoje, cambada de inútil no mercado de trabalho.
A PUC abriu as inscrições pro vestibular de inverno. Lasquei-me porque só abriu para 17 cursos. O curso que eu ia prestar só no de verão. Legal né?
Em uma das entrevistas foi proposto que eu fizesse um teste/treinamento de 5 dias. Uma rede de alimentação para hospitais, universidades e escolas. Não consegui passar do 3 dia. Pedi para sair. Eu tinha futuro naquele lugar, bastante grande. Pena que uma série de acontecimentos vieram junto comigo.

A primeira é que faltou comunicação para determinar qual loja, horário, cargo que eu iria ocupar. O salário para qualquer cargo estava bom, mas qualquer cargo era complicado para mim. Posso exigir um emprego que instigasse a desenvolver mais. E nesta rede percebi que estes sentidos não seriam aguçados.
A segunda é que o cozinheiro do turno da manha cortou a mão, minutos antes de eu chegar, a sua companheira pedira a conta, e a pessoa que iria me treinar simplesmente teve que assumir o período da manha. Quando cheguei, eu iria ficar no período da noite, e sem uma pessoa responsável. Na verdade, eu me tornara o responsável no segundo dia. Péssimo, levei bronca por não saber da logística do lugar (que era um hospital). Simplesmente conversei com a gestora, a qual eu tinha conversado antes da contratação, sobre em descontinuar o periodo de teste. Eu poderia continuar, pois aquela situação era passageira. Eu poderia continua, pois aquela seria uma oportunidade em ganhar uma administração. Poderia continuar... mas outras coisas pesaram. Fatores secundários, mas que eu preciso para minha vida. Não busco amigos no lugar de trabalho, mas passar 10h com as mesmas pessoas por 6 dias na semana... é um relacionamento. Não precisa ser agradável, mas precisa ser harmônico. E lá não existia sintonia. Eu continuaria deslocado.  Se bem que eu sempre sei deslocado e descolado.
Então é isto...


Bem nas minhas folgas forçadas.... estou visitando muitos cafés. Acabo não tirando foto.... mas uma coisa que me preocupa muito é a cozinha dos estabelecimentos... estou pegando fobia... um dia conto com detalhes....

22h00


A seguir Vida Sandy!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Como matar suas papilas gustativas

Definiçao by wikipédia
As papilas gustativas presentes principalmente na língua e também em algumas partes do nariz, mas também em menor número no céu da boca, na garganta e no esôfago são responsáveis pelo reconhecimento do sabor das diferentes substâncias. São elevações do epitélio oral e nasal e lâmina própria da língua. Existem seis tipos de papilas, com diferentes formas e funções: fungiformes, foliáceas, circunvaladas, filiformes, circunvolaformes, filgaformes. Elas são classificadas de acordo com suas formas.


BEm.... agora vamos falar sobre a LINGUA! e nao é do Mú (boi ou Mun-ha de vida eterna!)!.
Algumas formas que coleguinhas cozinheiros matam suas papilas gustativas.

1. Fume!
Palavra de ex-fumante. O cigarro é uma beleza. mata seu pulmao, seu olfato, seus amigos ao redor, sua reputaçao e principalmente sua lingua. Nao me gabo de dizer que fumava. EU disse FUMA---VA (pretérito imperfeito). Parei. Motivo: Perda de folego para correr dois metros, ou seja, sair da imobilidade era cansativo. Parei, comecei a nadar... parei, mas pelo menos nao fumo. Levei mais ou menos um mes para recuperar o sabor das coisas. A maiorias dos cozinheiros fumantes acaba manipulando errado o sal. Pois nao percebe que o alimento esta levemente salgado, e ainda pela cocçao, o alimento reduz. acentuando o sal. As substancias do cigarro, alem de ficarem impregnados na roupa, deixam a lingua amarelada. 
ah! e isto vale para cocaina, maconha  ou cigarro de oregano e outras coisas que fumamos ou cheiramos (Nao, nao sou ex adepto destes itens... so foi "carlton cremma/cappuccino" ou "Diamont/Marlboro menthol" ou qualquer "cigarro de viado", como diz um amigo do ramo e "no começo, era só pra 'isperimentá'")

2. Café.
I love Coffeeeeeeeeeeeeee... Este é um mal que pratico a 50 anos. Tomar café. dei uma reduzida, mas o café mascara por ter sabor, aroma e gosto predominante (iremos falar sobre estes temas num proximo tema...) E "podicrê" que mesmo escovando os dentes, o gosto amargo-doce (no meu caso porque gosto de um café melado) vai ficar por algum tempo. isto se ainda seu estomago nao regurgitar o café de volta.

3. Chiclete de menta ou derivados do "freshmint"
Outro vicio. Parecer um "ruminante". Adoro. nao que eu fique mais descolado. mas eu preciso dar uma mascarada no café (pro cigarro nao funciona). Os chicletes de menta sem açucar, de certa forma, causam uma "pseudo" sensaçao de limpeza. mas se um ingrediente que tem poder de neutralizar o café, pode neutralizar qualquer outro alimento. Ah! entao posso trocar o "freshmint"pelo "ploc ou babalu" de "tuttifrutti"? Nem preciso responder.

4. Lingua amarela!
"VAca amarela c@gou na panela, tres morreu quatro comeu (ja perceberam que falamos errado desde pequenos) e quem falar vai comer a bosta dela, 1,2,3...".

Se voce nao escova a lingua... NOJO!, "ai eu nao escovo a lingua por que eu fico com vontade de vomitar". Otimo! Mas encher a cara e chamar o "hugO,", abraçado a privada ou mas se matar de comer na Churrascaria e querer permanecer magra (bulimia) pode ne? CAncer de lingua existe ("crica aqui" http://mmspf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_08/cap_098.html  )
Fora que beijar uma fossa nao é legal. A pasta de menta pode mascarar e amargar qualquer sabor, aroma e gosto. mas é passageiro. o cancer e o mal-halito nao é tao rapido de se curar.  a lingua faz parte da boca, nao é so os dentinhos que temos que escovar. ceu da boca e gengiva também. nao tenho os dentes mais brancos e as gengivas mais rosadas... mas dentista e escova sao legais!

5. Vicie!
COma muita comida doce, salgada, apimentada. é otimo! chega um dia, que voce nao sente mais nada, nem que queimou a lingua. como qualquer sentido do nosso organismo. o excesso mata as células sensitivas. excesso fazem perder referencias. Eu adoro doces, tudo vai áçucar. é incrivel. quando eu tinha que preparar uma bebida doce, sempre ficava um melado. cortei um pouco os doces, e minha referencia voltou para o toleravel.

por hora é só.... agora tenho que fazer meu almoco.!

André Yochio

Abraço

domingo, 20 de março de 2011

concorrencia

Assim como de um restaurante para outro e qualquer outro oficio, existem a "concorrencia". Todos almejamos estar em um posto ou praça de maior prestigio. nao sou melhor em nada. o meu unico diferencial é que estou aonde tenho que estar e fazendo acontecer. meio termo entre um grande chef e cozinheiro mediocre. Ninguem gosta do posto mise-en-place.

Acredite. nao é legal admitir isto. O medio. (a origem desta palavra esta na ultima palavra do paragrafo anterior. Bem, estou em constante aprendizado. E nao estou brigando por posto. sei quando querem amargar meu musse. Mas será porque sou tao bom assim? será que causo algum risco? Nao... o "medio" responde a pergunta.

Bem algumas vezes tenho uma má vontade. mas faço melhor que quando estou com boa vontade. talvez é a coisa do "orgulho ferido japones" e "honra". um ponto positivo: separe o profissional do pessoal. por mais desconfortavel seja, tente sempre a neutraliDADE. é dificil e exige paciencia e perseverancia. ALEM DE sangue frio.

quanto a concorrencia? Bem! existe  muito isto. e isto resume a uma coisa: Nunca conte com a boa vontade dos outros. Apenas faça. Pois a unica chance de as coisas darem erradas é por seus erros. nao do outros. transferir o erro para outro? coisa de gente fraca. Se voce é o responsavel por execuçao e liberaçao. nao a como transferir. Se voce quer um molho espesso. Faça voce mesmo! nao se pode exigir se voce nao pode executa-lo.

Estava conversando com uma amiga, tambem do oficio, sobre a cozinha. Muitas vezes, algumas pessoas acham que cozinhar é uma ciencia exata. mas ela nao é. depende de todos os fatores do mundo. qualidade de insumo, pressao, temperatura, tempo, mao e paladar do executor. nao é como calcular baskara ou uma equaçao algebrica. é uma porcaria as vezes, ou melhor, sai uma porcaria.! e ai que acontece de voce ser rebaixado. erro em calculos e execuçao. por isto, muitas pessoas acham que ela é exata. nem na confeitaria ela é. o fator x é a pecinha que segura o fue.

Sobressair no mercado de trabalho é dificil. pegar algumas coisas na atmosfera tambem é estranho. a duvida da concorrencia. 

Hoje, eu posso dizer... Nao estou brigando por cargo ou praça. mas ja tive esta sensaçao antes. a quem diga que isto é natural e saudavel. a frio modo é. mas sinceramente? vale apenas se eu tiver alguma vantagem profissional.

Sem mais...
André Yochio

abraço!

no proximo post... trarei algum coisa menos pecinha... hehehe

quarta-feira, 16 de março de 2011

HomeKitchen and Cook on Job.



Qual a diferença entre cozinhar em casa e no trabalho? Rá você não sabe? Tempo e Temperatura meus caros. Você pode ter a melhor pedra em mármore e saber cortar perfeitamente uma cebola em juliene sem chorar em dois segundos, mas se não tiver dois itens importantes nunca será um bom cozinheiro: Fogão de alta pressão e uma faca Kyocera.
Estou namorando uma faca Kyocera cerâmica que vi. Já tive oportunidade de empunhar uma. Corta que nem uma beleza. Vi uma por 240 reais. Vou pesquisar se consigo alguma mais barata (sim consigo). E ela era de 5 polegadas, quero uma de 8 no mínimo. Eu tinha uma da Tramontina da série “Century”. O coisa gostosa! Roubaram na no trabalho. Juntamente com outras duas facas, bicos confeiteiros, descascador de legumes e outras coisas, todos identificados com meu nome. Tudo bem! Nada que eu não possa recuperar depois.
Também “namorei” um fogaozinho industrial, Comprei um. Ainda não tive tempo de “oficializar nosso namoro”. Cheguei a fazer varias compras mais ainda não tive um lugar para por “nosso romance”. Irei providenciar uma bancada. Um fogão residencial, por mais Brastemp que seja, não tem a “chama da paixão”. Ele cozinha, mas demora o dobro do tempo Selar um mignon? Tem que ter alguma habilidade e paciência para isto. O forno também é importante. O meu, do fogão é bom para apenas aquecer, mas trouxe um do Japão, que me quebra um galho. É “pocket rocket”. É forte, possui funções de grill, microondas, regulagem digital, descongelamento, alem de outras tantas que não sei. Eu queria um forno, maior que este. Mas na época não tinha dinheiro, e nem poderia traze-lo. Ele é maior que a TV Sharp do meu pai de 16 polegadas e em caixa de madeira. Sem chances. Mas ele era lindo.

É isto!

segunda-feira, 14 de março de 2011

FAst Food Parte II

FAstFood parte II

Sei que este post ficou em aberto por muito tempo, mas irei concluir o raciocínio. Falávamos de CONDIÇÕES de trabalho. Bem nunca trabalhei em shopping, e até tenho medo de pegar um shopping. Explico: A rotatividade é grande, a cozinha minúscula, a carga de trabalho é muito maior. O stress também. O salário e os benefícios são poucamente maiores.
Vejo a cara de apatia dos “gerentes” dos fast foods. É bastante preocupante. Acredito que eles são mais novos que eu. Mas tem que usar uma camisa curta branca com uma gravata preta. Botar ordem no confuso mundo de pedidos. Gritar e esbravejar para de fora para dentro do balcão que separa a cozinha do atendimento. Parece que são meninos que tem que envelhecer rapidamente. Como uma pessoa que parece tão desajeitada dentro daquela camisa pode por ordem entre comensais famintos de um lado e cansados trabalhadores?
Olhando pelas frestas da “boqueta”, vejo meninos e meninas (as vezes me questiono se é trabalho infantil, mas sei que são todos maiores de 18). Com cara de sono e igualmente apáticos.
Quando vou embora, muito alem das 22h. pego ônibus com algum destes sortidos profissionais. E ouço a conversa, não por deselegância minha, mas não sou eu que estou falando para o ônibus inteiro, deles. E analiso. Como me faz falta conversar sobre meu universo fora da cozinha. Todos os profissionais só falam da mesmas coisas: de como seus respectivos chefs e colegas são traiçoeiros, preguiçosos e de índole d

uvidosa ou de pedidos que deram errados por uma culpa que os isentem. Salvo por algum incidente que ocorra no ato da conversa, como policia, ônibus lotado, vendedores de canetas ou drogados pedintes. Agora entendo por que nossa classe ganha tão mal no país. Conheci poucos profissionais que conseguem dialogar sobre uma vida fora da cozinha. Afinal o profissional é uma armadura, o que tem dentro dela é que trabalha. Explicarei em um outro post. Mas como disse, gosto destes sanduíches, não é uma critica aos restaurantes.
Mas afinal, este post é uma critica há estes sofríveis profssionais? Não apenas uma constatação de que esta profissão ainda é dolorida. Chegaremos em alta gastronomia mais tarde!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Fast Food

.RAscunho.

Estava com fome, admito, gosto de uma porcaria, estou um pouco saturado com algumas comidas bem feitas! preparo elaborado, e coisa e tal. Dai estava fazendo algumas compras que precisava no shopping. fui em uma determinada rede de fast food. Lembrando das aulas de "tecnicas de Serviços". Um dos itens era este. Ou melhor a materia em si era esta. Quando voce esta realmente pra lá do balcao que separa com o mundo, é que voce começa a reparar como é FLORIDA! esta vida.

MEu pedido era simples, provalvente duas pessoas fariam o serviço, tres. COm a bebida. PEdi um " whooper duplo" com shake de maracuja. Sem batatas fritas. " APenas" o sanduiche e o shake. MAs pense 10 pedidos ao mesmo tempo, citando um movimento mediano, So sei que o responsavel em entregar o pedido ao comensal, berrava com o cara das |Fritas: " VAmoooooooooooo fulano, vamooooooo". SIm as pessoas do outro lado do balcao pareciam que nao viam comida a uns 2 meses, tambem, mas nao davam insultos aos atendentes. ISto era 21h00, faltando 1h para o " fim do expediente" (nós sabemos que o expediente só acaba depois da limpeza, baixa de estoque, enfim algumas açoes administrativas pendentes.) Todos estavam com cara de acabados. sim! BEm percebe-se que todos eram mais novos que eu, talvez tivessem seus 18 anos, primeiro emprego, devem tirar algo em torno de 500...para 8h, e o excedente vai para banco de horas. Esta é uma realidade, acho que de toooooooooooooooooooodos os profissionais de alimentaçao. COnserando que o ticket medio seja de, sei la, 20 reais por comensal. e devem atender uns 100 pessoas. chutando baixo. Admistrativamente é isto... continua

domingo, 8 de agosto de 2010

Cozinha desnuda mandado pela minha amiga Chef MARA

CHef Pizzato... ThankU

Cozinha Desnudada

Chefs brasileiros dissecam os bastidores dos restaurantes e revelam por que se deve evitar peixes às segundas, brunches e o prato do dia.

Restaurantes são locais antagônicos.
Dois mundos opostos convivem em torno de um objetivo comum: empanzinar o cliente. De um lado, o salão, com suas toalhas imaculadas, musiquinha ambiente no tom certo, iluminação adequada e a polidez dos garçons. De outro, no interior das cozinhas, fumaça, suor (a temperatura chega a 60 graus), barulho e brigas. Muitas. Há um pacto informal entre cozinheiros, ajudantes e lava-louças sobre o que ocorre nos bastidores dos restaurantes. O chef americano Anthony Bourdain, do Les Halles, bistrô francês de Manhattan, rompeu o silêncio ao publicar suas memórias em Kitchen Confidential. O livro virou best-seller (a primeira edição ficou 14 semanas na lista de mais vendidos do New York Times), mas provocou a ira de colegas ao desnudar o obscuro mundo das cozinhas.
Sem medir as palavras, Bourdain revela como chefs transformam sobras em pratos do dia, conta que servem peixe velho às segundas-feiras e consideram fãs de carne bem passada a segunda raça mais desprezível do planeta, atrás apenas dos vegetarianos. Bourdain também descreve as cozinhas nova-iorquinas como antros povoados por bêbados, ex-prisioneiros e imigrantes chicanos. Mesmo que tenha carregado nas tintas, o relato de Bourdain é confirmado, em parte, por alguns chefs brasileiros. É evidente que todos repetem a mesma frase: "No meu não é assim, mas eu sei que no...". Ainda assim, o relato é relevante pois eles contam o que viram, o que sabem e o que ouviram falar.
Pior do que o choque com o clima selvagem das cozinhas é descobrir os truques usados pelos chefs para agilizar o preparo ou economizar ingredientes.
Pedir o prato do dia achando que se está comendo o que há de melhor na casa, por exemplo, é uma das armadilhas mais traiçoeiras.
"No meu não é assim, mas, em geral, todo mundo acha que está comendo ingredientes fresquinhos, escolhidos a dedo pelo chef. Só que quase todos os restaurantes aproveitam o prato do dia para utilizar produtos com data de validade quase vencida", afirma Flávia Quaresma, dona do restaurante Câreme.
Outro truque para desovar sobras da semana são os brunches dominicais. "Eu não vou a brunch de jeito nenhum. So um chef consciencioso resiste à tentação de utilizar ingredientes que sobraram de sexta e sábado nos pratos dobrunch, mas há poucos chefs assim", diz Atala.
"Pode ter certeza que o salmão prestes a vencer vira rilette no brunch", diz Flávia. "E tem outro problema: bons chefs odeiam preparar brunch. Todo mundo está de mau humor, cansado, é um castigo. E eu não quero minha comida preparada assim. "Mesmo em Nova York , terra que criou o misto de café com almoço dominical, o brunch é uma tremenda roubada.
"Lá todo mundo sabe que brunch é sobra. É por isso que os pratos são tão fartos. O objetivo é se livrar do que está velho e ainda lucrar com isso", conta o carioca Felipe Bronze, 23, que já trabalhou no Le Bernardin, Nobu e Four Seasons, todos estreladíssimos restaurantes de Nova York.
Os 20 dias da carne
Comer peixe às segundas-feiras é um das mais ardilosas armadilhas proporcionadas pelos restaurantes.
Anote: a chance de você comer na segunda um peixe que está na geladeira há quatro dias é de quase 100%.
Em geral, as boas casas recebem duas a três entregas de peixe fresco por semana. O carregamento de sexta é o mais turbinado porque vai sustentar o movimento até terça, quando chega um novo carregamento. Ou seja: o peixe de segunda é o de sexta, que foi pescado na quinta. "Só como peixe às segundas em restaurantes que sei que compram marisco fresco todo dia, direto dos pescadores, como o Margutta", diz Flávia Quaresma.
A casa, especializada em peixes e considerada uma das melhores do Rio, de fato tem uma ponte direta com mergulhadores. "Eles pescam com arpão e trazem, todo dia, pelo menos uns dez badejos e garoupas", diz Conceição Neroni, proprietária do Margutta. Como nem todo mundo conhece o rol de fornecedores dos restaurantes, a melhor maneira de não mastigar peixe caduco é pedir o prato às terças e sextas-feiras.
Outra observação sobre peixes é feita por Gianni Cestroni, dono do Grottamare: "Depois de três dias de ressaca no mar, não há quem sirva peixe fresco", afirma. "Entre 1 e 2 de agosto, não havia peixe fresco em nenhum local das redondezas do Rio. Quem disser que tinha, mentiu", afirma.
E quanto à carne?
A idade da carne é um dos maiores mistérios para quem está fora das cozinha.
Pouca gente sabe, mas, no Rio, todo T-bone steak servido (um corte especial da carne bovina) é importado de São Paulo. Isso significa que o corte nunca estará com todo seu viço. "Os bons fornecedores estão lá, não tem jeito. Mas o T-bone é nossa única carne que não é fresca", diz Wagner Spalla, chef do moderninho 0/0, no Planetário da Gávea.
Uma das sagas mais bizarras é a do filé.
Segundo relatam os chefs, a grande peça de filé mignon passa por estágios longuíssimos até se transformar em escalopinho.
"No meu não é assim mas, já trabalhei em um restaurante em que o medalhão de filé que sobrava era cortado em tirinhas e virava escalope. Se também não vendia, virava algum prato empanado, tipo bife à milanesa. Uns 20 dias depois, quando já estava no limite da validade, era moído e transformado em ragú (molho bolonhesa)", conta Atala.
BLARGH!
A cena descrita é mesmo de arrepiar, mas reciclar pratos e ingredientes é uma prática corriqueira nos restaurantes. O que sobra dos biscoitinhos servidos com o café e dos pães do couvert, por exemplo, é invariavelmente transferido para as cestinhas da próxima mesa.
No restaurante do prédio do Jockey Club no centro do Rio, onde só se pode comer vestindo terno e gravata, batatas chips e o arroz de brócolis que ficam na travessa também são reaproveitados. A cena foi presenciada pela reportagem da Domingo.
Quem frequenta japoneses deve ter cuidado com a reciclagem. Sabe aquela saladinha verde com uns nacos de kani-kama? Pois é. Em geral, o kani exposto no sushi bar de restaurantes costuma ser desfiado para dar cor às saladas do dia seguinte. "Pratos que usam carne desfiada, não passam de maneiras criativas de reaproveitar um alimento", diz Flávia Quaresma.
O melhor dia é quarta-feira.
Para ter certeza de estar comendo produtos frescos, só há uma saída: escolher restaurantes muito movimentados, onde quase não há sobras de comida.
"O segredo da comida fresca é a rotatividade", afirma Bronze, usando as mesmas palavras escolhidas por Bourdain em seu livro para ensinar ao povo do salão a driblar as roubadas impostas pelo bando da cozinha.
Sob essa ótica, é muito melhor comer um filé no Brazeiro da Gávea é altamente seguro. Também vale à pena escolher pratos que sejam a especialidade da casa, que têm mais saída e, por isso, muito mais chances de serem frescos.
"Acho arriscado pedir peixe num lugar em que a especialidade é carne. Eu não peço nunca", diz o chef Francesco di Carli, do Cipriani, no Copacabana Palace.
Em Kitchen Confidential, Bourdain vai mais além, condenando casas com cardápios gigantes, que servem de tudo um pouco. "Se o restaurante está cheio e você vê que o prato que mais sai é a bouillabaisse (uma sopa de peixes), ela é provavelmente a melhor opção. Mas fuja de lugares com menus extensos e variados, principalmente se estiverem semi-vazios", escreveu o chef.
Outro mito a se desvendar diz respeito a frequentar restaurantes em dias de pouco movimento, como segundas e terça-feiras. "Por incrível que pareça, é nos dias mais calmos que acontecem os maiores desastres. Os funcionários ficam desatentos, a máquina não está azeitada, e acontece um erro atrás do outro: a massa passa do ponto, o filé idem, o peixe fica muito salgado. Acho que a gente trabalha melhor sob pressão", diz o consultor Luciano Boseggia, ex-chef do paulista Fasano durante 14 anos.
O chef Bourdain prega que quem quer ser bem atendido deve concentrar as idas a restaurantes nas terças, quartas e quintas.
"No domingo e na segunda, a equipe está exausta e muitos ingredientes, passados. Na sexta e no sábado, a comida é fresca, mas o chef não pode prestar tanta atenção no preparo do prato porque está sobrecarregado. Além disso, os fins de semana atraem uma horda de clientes mais interessados no movimento do que na comida, e os chefs terminam priorizando a rapidez do que a qualidade", diz.
Há um tipo de cliente que irrita mais ainda os chefs do que os gourmets de fim de semana: aqueles que devolvem pratos alegando que a carne está mal passada.
"Quando o garçom traz de volta um peixe ou um maigret de pato porque o cliente reclama que está mal passado, todo mundo na cozinha corre para a janela para ver a cara do sujeito. Quase sempre são mulheres magérrimas ou gente que não tem a menor cara de saber apreciar um bom prato", diz Alex Atala, que jura que o infeliz não sofre retaliação. "O prato pode demorar um pouco mais a sair, mas é só."
Na semana passada, uma mulher que devolveu duas vezes um salmão grelhado no moderninho 0/0, na Gávea, tirou do sério o normalmente inabalável chef Wagner Spalla. "Isso é coisa de pobre que não sabe que salmão não pode ser servido esturricado. Mas vai fazer o quê?", diz Spalla, que, depois de jogar no lixo os dois salmões devolvidos, resolve grelhar sem dó o filé escolhido pela cliente rebelde em sua terceira tentativa. (Mesmo o inabalável Christophe Lidy, do Garcia & Rodrigues, tem ataques quando isso acontece). Minutos depois, o garçom volta da mesma mesa devolvendo um talharim negro com lulas fritas. A reclamação é idêntica: as lulas estariam mal passadas. "Põe aí na panela e frita de novo. Vai ficar que nem chiclete", diz Spalla (ao contrário do salmão, que não pode voltar à grelha, as lulas são fritas novamente até ficar ao gosto bizarro da cliente).
Também é equivocada a idéia de que, na cozinha, todos os clientes são tratados iguais. Quase todos os restaurantes têm olheiros que alertam os chefs sempre que alguma personalidade chega ao restaurante. "Quando era chef da cozinha do Fasano, toda vez que o presidente do Bradesco chegava, a gente era avisado", conta Boseggia.
No DOM, Atala também acompanha o entra-e-sai de famosos pelas paredes de vidro da cozinha, mas diz que quem conquista o coração dos cozinheiros são anônimos que sabem escolher o prato certo. "Claro que o chef trabalha com mais gosto para o cliente que pede atum mal passado porque ele sabe que está cozinhando para alguém que vai apreciar o prato. Já quem pede uma sola de sapato não vai contar com a mesma boa vontade", diz.
Sujos e brutos.
Um dos capítulos mais assustadores (sim, quando se lê sobre comida, as revelações podem ser mesmo assustadoras) de Kitchen Confidential trata do ambiente das cozinhas. Bourdain descreve cenas pestilentas, expõe facetas sombrias (por exemplo, a de que muitos restaurantes em Nova York servem para lavar dinheiro da máfia) e diz que ali habita o lúmpen, os párias da sociedade.
"Para trabalhar na cozinha, tem que ser outsider por natureza. Gostar de trabalhar à noite, de viajar muito. Sem esse perfil, não vale à pena", diz Felipe Bronze.
No Rio e em São Paulo, as cozinhas dos restaurantes estrelados são dominadas por nordestinos. Ao contrário dos chicanos de Nova York, eles são mais empenhados e, muitos, acabaram virando proprietários ou chefs de restaurantes em que começaram como lava-pratos.
"Na minha cozinha tinha um Piauí, uns três Bahia, dois Ceará. O mapa do Nordeste inteiro estava lá dentro. Eram profissionais de qualidade", diz Boseggia.
O clima nas cozinhas brasileiras não é tão junkie como no exterior, mas algo têm em comum: a brutalidade.
Na quinta-feira passada, Léo, ajudante de cozinha do Zazá Bistrô, em Ipanema, ficou de castigo ao errar o ponto do salmão grelhado. A lentidão irritou o chef boliviano Checho Gonzales, que puniu o garoto rebaixando-o para uma função "menor" - no caso, picar salmão - além de transformá-lo em alvo das chacotas do grupo. "Inútil, vagabundo e débil mental" foram algumas das alcunhas a ele atribuídas. Sempre de preto e com o braço coberto de tatuagens, o boliviano é o protótipo de chef gauche: solta palavrões compulsivamente, sua em bicas e faz a minúscula e calorenta cozinha do Zazá parecer ainda menor e mais quente.
Checho não é o único que dirige o restaurante com mão-de-ferro.
Às 22h, ataques coléricos recheados de palavrão ecoam de quase todas as cozinhas. Em seu restaurante, Atala também não poupa berros e xingamentos. Os clientes não escutam porque cozinha e salão são separados por um vidro anti-ruído. "Prato salgado ou fora do ponto me tiram do sério. Fico bravo, grito muito", diz Atala.
Nas cozinhas, como nada pode dar errado, a disciplina é militar. Além da humilhação oral, muitos chefes apelam para castigos, tradição herdada da escola culinária francesa.
A chef Flávia Quaresma perdeu as contas de quantas vezes ficou sem jantar como punição por barbeiragens feitas enquanto estagiava com Guy Savoy, um dos mais respeitados chefs franceses. "O Guy exigia que todo mundo andasse na cozinha com o uniforme impecável. Logo nos primeiros dias, deixei cair um pote cheio de molho de soja em cima de mim. Quando ele me viu toda preta e perguntou por que eu não havia trocado de roupa. Como eu não tinha uma muda limpa, ele me castigou: fiquei sem jantar", lembra.
Boazinha, Flávia deixa seus cozinheiros até fazerem "montinho". "Eles guardam num cantinho alguns pedações de filé que sobraram do prato de algum cliente para comer depois", diz a chef.
Outro ponto de convergência entre cozinhas brasileiras e estrangeiras diz respeito à limpeza.
Não precisa ser um maníaco para sentir um leve arrepio ao presenciar cenas rotineiras: chefes e ajudantes metem o dedo na panela e na boca sem o menor constrangimento, garçons usam a mesma mão que carrega bandejas para ajeitar o alface que teima em escorregar do prato e ajudantes limpam o molhinho que sujou o prato com um pano imundo, que eles prendem no avental.
Mais uma vez, não se trata de mera especulação.
Domingo passou um dia inteiro em quatro grandes restaurantes do Rio. Ali, vimos de tudo.
Como as cozinhas são pequenas, a água da pia usada para lavar pratos invade todo o espaço e não há pano de chão que consiga manter o assoalho seco. Por volta das 22h, a minúscula cozinha do Zazá Bistrô vira uma sauna (No Fasano, Boseggia já mediu a temperatura: 60 graus): o cheiro de condimentos asiáticos misturado a óleo e ervas aromáticas sufoca. O chão constantemente molhado obriga cozinheiros a deslizar em vez de andar. "Isso aqui é o meu inferno", diz o chef Checho Gonzales. "É preciso ser um pouco louco e gostar muito para aguentar", afirma Alex Atala.